Behind The Rainbow

02:00 Clementino Junior 2 Comments

http://www.youtube.com/watch?v=kNTA0_KRXdw

Assisti no Festival do Rio 2009 ao filme "Behind the Rainbow", com o título em português (quem são os tipos que criam estas versões?) .

Na sala do Centro Cultural da Justiça Federal (e não Eleitoral, que tem criado altas confusões), estava a realizadora Jihain El Tahri que explicou um pouco sobre o seu trabalho como documentarista interessada pelas relações de poder, e que quando começou a filmar o processo de transformação política na África do Sul pós-Mandela ninguém queria bancar o filme, o fez por conta própria, até que estouraram os escândalos de corrupção e as acusações de estupro entre os 2 personagens principais: Thabo Mbecki e Jacob Zuma, o que lhe possibilitou concluir o filme de forma mais “tranqüila”.

Assim como no filme já citado sobre as intervenções cubanas nas guerras de libertação do continente africano, este filme mostra como dois parceiros de luta, que se conheceram quando dividiram cela na mesma prisão onde Mandela esteve, e lá consolidaram a base de negociação entre o fim do governo branco e o início do governo negro na África do Sul.

Na realidade quem governou pelo ícone Nelson Mandela foi Mbecki, com suporte de Zuma, uma vez que o formato eleitoral local privilegia o partido, que escolhe quem será o seu líder.

A história de parceria e rivalidade entre os dois, e o quanto esta rivalidade acaba com uma amizade são o ponto de conflito mais atraente deste documentário jornalístico, onde conseguimos identificar inúmeros elementos semelhantes na história da política brasileira, onde a dança das cadeiras nos partidos e cargos são uma predominante.

Alguém mais preconceituoso pode chegar após este filme e questionar a falta de tato dos sul-africanos negros em governar o seu próprio pais, mas quem observar melhor verá que o país durante longo tempo não deixou de ser governado em suas principais bases (congresso e forças armadas) pelos brancos, e que estes colaboraram em muito para este esfacelamento da economia e o insucesso da nação arco-íris sonhada por Nelson Mandela.

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BENNY MORÉ

13:13 Clementino Junior 0 Comments


Sexta-feira 13

de novembro teve a sessão de encerramento das atividades do ano com o filme El Benny, inspirado na vida de

cantor cubano e ídolo da música caribenha nos idos dos anos 40, 50 e 60.


Este drama musical que nos faz chacoalhar na cadeira e querer abrir a pista, mesmo não sabendo dançar, chegou ao Cineclube Atlântico Negro através da Vestígio Filmes, produtora da Mostra de

Cinema Cubano de Curitiba, que aconteceu há 2 meses, e cujo curador Dario Pontes Regis veio para participar do bate-papo.













Os dados mais importantes sobre esta obra são a duração do projeto (11 anos de dedicação ao projeto) por parte de Jorge Luís Sanchez, e o trabalho de Renny Arozarena, ator que dentre outros esforços teve que emagrecer muito e aprender o estilo e a movimentação de palco de Benny Moré para o papel.

O que se assiste na tela é uma super-produção, e confesso que ao assisti-la antes de escolhe-la para esta sessão, imaginei quais as parcerias não creditadas ao filme, mas ao descobrir por intermédio de Dario, que esta é mais uma simples e mui artística produção do ICAIC, e que este hesitou muito em topar produzi-la, fiquei surpreso, mas também feliz em saber que a mesma foi feita toda em HD (ou seja, não é tão purista assim), e o roteiro muito bem amarrado (mesmo que em momentos prefira apelar para clichês) só agregaram valor a esta obra que foi um dos maiores sucessos dos últimos 20 anos em Cuba, tendo sido assistida por quase 10% da população nos cinemas.

Benny Moré tem tudo a ver com a proposta do Cineclube.

Cantor negro, de origem rural, apesar da boemia é ligado a família e a magia que os rege (a Santeria) e vive durante a história uma rumba macabra com a morte, ilustrada aqui pelo álcool e as paixões.

As mulheres são um capítulo a parte, inclusive a alegoria da morte nesta hora é uma mulher, e esta é portadora do álcool.

A narrativa tem todos os ingredientes de um drama clássico: inveja, paixão,vingança, misticismo, e em nenhum destes momentos a bola cai neste filme de 132 minutos.

Estou feliz de ser o anfitrião da segunda exibição desta obra em território nacional e da primeira em solo Fluminense.

Abaixo, um pedaço de Benny em ação (fora do filme), e o trailer.

http://www.youtube.com/watch?v=sfw3h5C2IkM&feature=related


http://www.youtube.com/watch?v=g6RzAIDjzvs

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