SESSÃO SÓ DIRETORIA....

03:11 Clementino Junior 1 Comments

Dia 26 de fevereiro, no Tempo Glauber, teremos uma sessão "Só Diretoria" do Cineclube Atlântico Negro, celebrando o retorno pós-folia e início dos trabalhos no ano da Copa.
A sessão terá um documentário musical, baseado nos bastidores do "Black is Beautiful", filme raro, dirigido por um famoso diretor de "um filme (de sucesso) só", e que só será divulgado àqueles que escreverem para o email atlanticonegro@gmail.com escrevendo no assunto "yes we can (sim nós lata)!"
O Tempo Glauber fica na Rua Sorocaba, 190, Botafogo, Rio de Janeiro.
Quem confirmar pode, como sempre, levar os amigos, a entrada é franca.
Depois quem quiser pode usufruir do serviço do Café Barravento.
Avise agora para entrar na "lista VIP"

Clementino Junior

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Dos Naturais aos Mundiais

16:51 Clementino Junior 1 Comments

Irônico pensar que na história do futebol carioca, em seus primórdios, os negros não tinham acesso a atividade. O que o cinema da diápora tem com isto?
Bom, na verdade com a chegada das primeiras câmeras de filmagem no final do século XIX, trazidas pela elite e por poucos profissionais oriundos desta mesma elite (como o pioneiro Afonso Segreto, primeiro cinegrafista em terras brasileiras, oriundo da Itália), começaram a ser registrados os primeiros “naturais”, documentários onde se via o cotidiano desta mesma classe social.

Curioso que antes de Paschoal Segreto (irmão de Afonso, e Midas dos clubes e da jogatina na época, em parceria com Cunha Sales) inaugurar o primeiro cinema no Rio de Janeiro, os clubes desportivos tinham eventuais exibições informais de filmagens domésticas feitas pela elite, e já nestes encontrávamos o panorama de imagens sociais onde o negro aparecia em segundo plano, ou por ser o serviçal da casa, ou por ser um dos milhares das ruas cariocas que entrou em quadro.
A dificuldade de acesso aos bens em geral se refletiu a partir daí tanto no futebol (onde os principais clubes os excluíam, o que permitiu o surgimento das equipes de futebol do Vasco e posteriormente do Flamengo graças a este grande contingente de atletas sem gramado) como no cinema, onde negros apareciam raramente apareciam. Enquanto nos E.U.A. eles apelavam para os "black faces" (oposto do mito carioca do pó-de-arroz tricolor), atores brancos pintados de negros, aqui no Brasil os poucos atores negros representavam índios, em obras como O Guarani (Antonio Leal, 1908) onde o Negro (ator e palhaço) Benjamin de Oliveira interpretava o protagonista Peri, além de outras tantas versões da obra de José de Alencar (O Guarani, de Vittório Cappelaro, de 1926). Nestes filmes o negro figurava substituindo o índio, que sequer teria acesso a este tipo de mídia até os anos 30.
Pensar que levaríamos 4 décadas, um gênio como Grande Otelo, e toda uma evolução no esporte, para que nos anos 60 as estrelas afro-brasileiras do futebol tomassem conta das telas, com as imagens de craques como Pelé e Garrincha criando imagens imortais, e gerando dezenas de documentários e biografias sobre eles, isto pouco antes do Cinema Novo que ampliou esta exposição dos astros e tentou trabalhar a imagem do negro como ícone proletário. No caso do futebol no cinema os reis eram ilustrados, aqueles que foram o divisor de águas.

Basta dizer que na década de 60 e até o início dos 70, Pelé foi ator em diversos filmes, como protagonista (muitos fazendo a si mesmo, inclusive numa autobiografia onde meu pai Clementino Kelé fazia o papel de Dondinho, pai do Rei do futebol), só perdendo para Grande Otelo.
Hoje mesmo que de forma estereotipada, o negro já tem uma presença maior nas telas, sendo que o futebol vem se distanciando cada vez mais do cinema e seguindo para outras mídias, como a TV, a internet e os games, mas pensar no futebol atual sem a presença do negro, ou na seleção brasileira, onde já são maioria, é impensável.

Hoje temos os frutos desta evolução, com um contigente de bons realizadores negros, alguns já ultrapassando a barreira do segundo filme, como Joel Zito Araujo, e vamos assim fazendo nossa seleção de craques.

Filmes brasileiros importantes para refletir sobre o assunto acima (notem que os dois primeiros foram realizados em simultâneo, apesar da biografia do Pelé ter sido relançada mais tarde):

  • Rei Pelé (dir. Carlos Hugo Christensen - 1962);
  • Garrincha, Alegria do Povo (dir. Joaquim Pedro de Andrade – 1962);
  • O Barão Otelo no Barato dos Milhões (dir. Miguel Borges – 1971 – Grande Otelo e Pelé juntos);
  • Isto é Pelé (dir. Luiz Carlos Barreto – 1974);
  • Garrincha (dir. Fábio Barreto /curta-metragem – 1978);
  • Pedro Mico (dir. Ipojuca Pontes – 1985 – curiosidade: Pelé é dublado por Milton Gonçalves);
  • A Negação do Brasil (dir. Joel Zito Araujo - 2000);
  • Pelé Eterno (dir. Aníbal Massaini Neto – 2004).

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CONSUL HAITIANO NO BRASIL DISCRIMINA A RELIGIÃO LOCAL

09:09 Clementino Junior 1 Comments

Prefiro não comentar nada, este blog é para falar de cinema e audiovisual em prol da Cultura Afrobrasileira, mas esta notícia mostra o quanto o ser humano está atrasado, e perpetuando este atraso através do preconceito, mesmo em um momento grave como o que passam nossos irmãos Haitianos.

http://www.youtube.com/watch?v=9UprgJGm-64&feature=email

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ABOLIÇÃO

16:45 Clementino Junior 1 Comments


Assistir ao longa ABOLIÇÃO, reflexão de Zózimo Bulbul e seus contemporâneos do Movimento Negro dos anos 80 sobre o centenário da lei áurea, 21 anos depois, é estender estas reflexões a um plano não tão confortável como gostariamos que fosse.
Muita água correu nestas 2 décadas, num retrato feito em 88, ano que precedeu a eleição de Collor e uma sucessão de governos que levaram o Brasil numa montanha russa até um momento atual em que passamos do debate ao confronto, onde as cotas (que ainda não eram assunto naquele instante) já são combatidas por alguns formadores de opinião, e que as poucas conquistas conseguidas fora deste tema são ignorados e tratados com desdém.
Apesar da presença de intelectuais e militantes com uma crítica contundente anti-racismo, é interessante assistirmos as informações subliminares presentes neste doc.
Um lugar comum nos documentários envolvendo o povo pobre/preto é notar como as crianças estão sempre vestidas (e continuam) com referências de cultura pop americana. Eu mesmo não lembrava de ver camisas da Hello Kit na época, mas numa favela elas estão presentes, assim como a Xuxa como modelo de beleza padrão infantil (na época ainda usava "Maria-chiquinhas") numa TV em segundo plano.A AIDS também estava muito presente, com toda a carga de marginalização que já trazia na época.
Apesar destes pequenos dentre vários sustos que um cara de 40 anos como eu, ou mais velho possa ter, o dado mais interessante, e que justifica em algum aspecto a longa duração (bem longa, vá ao banheiro antes) são os depoimentos contundentes de militantes bem instrumentalizados, seja pela vivência ou pela posição acadêmica, sem cortes, e bem organizados para citar históricamente o que o movimento organizado pensava de sua situação.
Li recentemente um artigo escrito no momento de sua exibição (com prêmio) no Festival de Brasília, onde se falava sobre a opção de ter dezenas de depoentes e com falas longas, mas pensemos de forma clara: em um momento em que os diretores negros tratavam de outros assuntos, e alguns poucos conseguiam tratar da questão do negro de forma mais sutil, como seria o critério para jogar fora tantos bons depoimentos num momento em que precisávamos de voz.
Neste ponto a função de Zózimo Bulbul foi fundamental, pois conseguiu concentrar em um documentário grande parte das cabeças pensantes, de todas as cores mas predominantemente negros, e tentando passar um panorama de 100 anos de história, de lutas e ações em 150 minutos... como falar de João Cândido e Solano Trindade em um minuto e meio? Como falar do Teatro Experimental do Negro e de Abdias do Nascimento em um minuto e meio?
Será que na época ele teria apoio de alguma emissora para transformar esta enorme reflexão e a vasta pesquisa em mini-série documental para TV?
Ao assistirmos a esta obra fundamental, independente da opinião política ou estética, temos que avaliar fundamentalmente esta época onde ela foi produzida, e a importância com a qual ela pontuou o centenário da escravidão e ainda hoje se mantém pertinente enquanto referência do Cinema da Diáspora Africana no Brasil.

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