CARMEM NEGRA

03:55 Clementino Junior 1 Comments

Em 2002 vi este filme no Festival do Rio, e na época eu mantinha uma "coluna" enviada por email para amigos chamada "Clems View". Muitos destes se perderam, pois meu email da época limpou inadvertidamente a caixa postal, mas graças a meu amigo Alex Moura, resgatei 30 destes email, e este filme em especial que é totalmente um filme da Diáspora, por traduzir para o contexto senegalês a já por demais adaptada história da ópera Carmen (mais tarde re-adaptada no contexto sul-africano, no filme Carmen na África", este segundo chegou a concorrer ao Oscar de Filme Estrangeiro).
Encontrei inclusive uma cena do filme, onde Carmen seduz a oficial do presídio feminino, as duas belíssimas, e abaixo do link, segue o comentário que fiz na época da exibição do filme, que nunca entrou em cartaz por aqui (normal).

http://www.youtube.com/watch?v=YG_A5VJF8Ls

05/10 / 2002 - Sábado - 22:30 horas
CARMEN NEGRA
(Karmen Gei / Joseph Gaye Ramaka / Senegal / 2001)
Praticamente uma Ópera-Zouk, não fui preparado para um filme musical, e muito menos para algo tão bem fotografado, uma vez que minha referência de cinema senegalês se resumia a 2 filmes de Ousmane Sembéne de conteúdo maravilhoso, mas fotografia rala. Este é muito bem cinematografado, a adaptação de Carmem para o contexto é perfeita e os atores dançarinos e cantores são ótimos e naturais. Sobre a atriz que fez a Carmem, me recuso a falar qualquer coisa, pois temo pelas fantasias que podem me vir a cabeça, me fazendo perder o controle tal qual os personagens que se envolvem com ela. Viva África.

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DIVULGAÇÃO: Ensaio Sobre Carolina

09:17 Clementino Junior 1 Comments


Os jovens atores negros, guiados pelo diretor do espetáculo José Fernando Azevedo, mergulharam fundo. Em cena, o que se vê é, ao mesmo tempo, a vida de uma mulher negra no fim dos anos 50 e o que esses atores, com toda certeza do mundo, já sentiram na própria pele. É um documento e, ao mesmo tempo, é atual. É histórico e é contemporâneo, a tal ponto que em nenhum momento sente-se falta do famigerado didatismo que tantas vezes contamina peças adaptadas de livros.

(...) Com perucas loiras mal ajambradas na cabeça, números musicais que parodiam os filmes de Hollywood de maneira cortante - uma explicitamente falsa Doris Day dança pelo palco abraçada a um vestido de primeira comunhão, enquanto canta as agruras de não ter comida pra dar aos filhos... - o elenco inteiro dá um show.

(...) Interessante é que a miséria do tempo de Carolina era dolorida, como a miséria de hoje, mas não tinha a marca da violência. Ainda não se falava de criminalidade como sinônimo de miséria. E isso espanta: a mãe quer comprar sapatos para os filhos para que eles possam ir à escola e ser alguém - e não para que tentem escapar das quadrilhas e das polícias. A peça termina de maneira quase brusca, porque - no fim das contas - aquela história não termina nunca".

(...) Tentem não perder a peça. É um espetáculo de primeira grandeza em meio a tantos falsos brilhos de nossos palcos."
Mário Viana – Jornalista e dramaturgo site www.olharesloiros.blogspot.com


Impossível negar que o primeiro aspecto a chamar a atenção vem do fato de todo o elenco ser negro. Logo nas primeiras cenas tal característica transforma-se em potência pela forma como é trabalhada- uma busca consciente em harmonizar força poética e consciência crítica.”
Beth Néspoli – Jornalista Estado de São Paulo


Da hibridação conceitual, 'Ensaio sobre Carolina' , faz migrar a busca do olhar do campo fabular convencional para a sobreposição de imagens, em sólido mosaico feitos de fragmentos que demonstram sua contundência por si mesmos. Precisão e domínio técnico não lhe faltam.

(...) a sensação pulsante é a de que, como atos de Coragem, de vigor político, um outro campo começa a se desenhar por aquele teatro voltado para a criação de novos olhares. De modo semelhante a “Besouro Cordão-de-Ouro”, um chamado à releitura (e ao redimensionamento) do que seja o lugar atual da expressão teatral está sendo lançado.”
Antônio Rogério Toscano - professor na Escola de Arte Dramática/USP e Escola Livre de Santo André - Crítica Revista Camarim.

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