quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Behind The Rainbow

http://www.youtube.com/watch?v=kNTA0_KRXdw

Assisti no Festival do Rio 2009 ao filme "Behind the Rainbow", com o título em português (quem são os tipos que criam estas versões?) .

Na sala do Centro Cultural da Justiça Federal (e não Eleitoral, que tem criado altas confusões), estava a realizadora Jihain El Tahri que explicou um pouco sobre o seu trabalho como documentarista interessada pelas relações de poder, e que quando começou a filmar o processo de transformação política na África do Sul pós-Mandela ninguém queria bancar o filme, o fez por conta própria, até que estouraram os escândalos de corrupção e as acusações de estupro entre os 2 personagens principais: Thabo Mbecki e Jacob Zuma, o que lhe possibilitou concluir o filme de forma mais “tranqüila”.

Assim como no filme já citado sobre as intervenções cubanas nas guerras de libertação do continente africano, este filme mostra como dois parceiros de luta, que se conheceram quando dividiram cela na mesma prisão onde Mandela esteve, e lá consolidaram a base de negociação entre o fim do governo branco e o início do governo negro na África do Sul.

Na realidade quem governou pelo ícone Nelson Mandela foi Mbecki, com suporte de Zuma, uma vez que o formato eleitoral local privilegia o partido, que escolhe quem será o seu líder.

A história de parceria e rivalidade entre os dois, e o quanto esta rivalidade acaba com uma amizade são o ponto de conflito mais atraente deste documentário jornalístico, onde conseguimos identificar inúmeros elementos semelhantes na história da política brasileira, onde a dança das cadeiras nos partidos e cargos são uma predominante.

Alguém mais preconceituoso pode chegar após este filme e questionar a falta de tato dos sul-africanos negros em governar o seu próprio pais, mas quem observar melhor verá que o país durante longo tempo não deixou de ser governado em suas principais bases (congresso e forças armadas) pelos brancos, e que estes colaboraram em muito para este esfacelamento da economia e o insucesso da nação arco-íris sonhada por Nelson Mandela.

domingo, 15 de novembro de 2009

BENNY MORÉ


Sexta-feira 13

de novembro teve a sessão de encerramento das atividades do ano com o filme El Benny, inspirado na vida de

cantor cubano e ídolo da música caribenha nos idos dos anos 40, 50 e 60.


Este drama musical que nos faz chacoalhar na cadeira e querer abrir a pista, mesmo não sabendo dançar, chegou ao Cineclube Atlântico Negro através da Vestígio Filmes, produtora da Mostra de

Cinema Cubano de Curitiba, que aconteceu há 2 meses, e cujo curador Dario Pontes Regis veio para participar do bate-papo.













Os dados mais importantes sobre esta obra são a duração do projeto (11 anos de dedicação ao projeto) por parte de Jorge Luís Sanchez, e o trabalho de Renny Arozarena, ator que dentre outros esforços teve que emagrecer muito e aprender o estilo e a movimentação de palco de Benny Moré para o papel.

O que se assiste na tela é uma super-produção, e confesso que ao assisti-la antes de escolhe-la para esta sessão, imaginei quais as parcerias não creditadas ao filme, mas ao descobrir por intermédio de Dario, que esta é mais uma simples e mui artística produção do ICAIC, e que este hesitou muito em topar produzi-la, fiquei surpreso, mas também feliz em saber que a mesma foi feita toda em HD (ou seja, não é tão purista assim), e o roteiro muito bem amarrado (mesmo que em momentos prefira apelar para clichês) só agregaram valor a esta obra que foi um dos maiores sucessos dos últimos 20 anos em Cuba, tendo sido assistida por quase 10% da população nos cinemas.

Benny Moré tem tudo a ver com a proposta do Cineclube.

Cantor negro, de origem rural, apesar da boemia é ligado a família e a magia que os rege (a Santeria) e vive durante a história uma rumba macabra com a morte, ilustrada aqui pelo álcool e as paixões.

As mulheres são um capítulo a parte, inclusive a alegoria da morte nesta hora é uma mulher, e esta é portadora do álcool.

A narrativa tem todos os ingredientes de um drama clássico: inveja, paixão,vingança, misticismo, e em nenhum destes momentos a bola cai neste filme de 132 minutos.

Estou feliz de ser o anfitrião da segunda exibição desta obra em território nacional e da primeira em solo Fluminense.

Abaixo, um pedaço de Benny em ação (fora do filme), e o trailer.

http://www.youtube.com/watch?v=sfw3h5C2IkM&feature=related


http://www.youtube.com/watch?v=g6RzAIDjzvs

terça-feira, 27 de outubro de 2009

OS ESCRAVOS DA NESTLÉ NA COSTA DO MARFIM

kurioso.wordpress.com/2009/09/10/el-cacao-de-nestle-en-africa

NESTA SEXTA NO ATLÂNTICO NEGRO....


O Cineclube Atlântico Negro apresenta nesta sexta as 19 horas no Tempo Glauber (Rua Sorocaba 190) o documentário DESORGANIZADORES DE FICHÁRIOS, dirigido por Allan Ribeiro, sobre o trabalho da Cia. de Dança e Teatro Rubens Barbot. Na programação ainda rolará um curta surpresa que só curtirá quem estiver presente.
Aguardo vocês!
Abs,
Clementino Junior

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

MARIA FELIPA

http://conversademenina.wordpress.com/2009/07/03/maria-felipa-guerreira-de-itaparica

Não é audiovisual, mas é mais uma personagem esquecida de nossa história.
Leiam este texto do link acima.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

CUBA e ÁFRICA

Aproveitando a repescagem do Festival do Rio, fui ontem ao Espaço de Cinema assistir ao documentário CUBA, UMA ODISSÉIA AFRICANA, que conta como durante a Guerra Fria, a África tornou-se um amplo campo de disputa entre interesses conflitantes.

Ver trailer em:
http://www.kewego.com.br/video/iLyROoaftS-H.html

Os soviéticos queriam expandir sua influência para um novo território, os EUA planejavam se apropriar das riquezas do continente, e os antigos impérios europeus viam seu poder colonial se dissipar.

Precisando defender a independência recém adquirida, as jovens nações africanas foram buscar apoio junto à Cuba de Fidel Castro.

O interessante deste histórico foi mostrar como desde a missão fracassada de Che Guevara no Congo (que é narrada por seus personagens vivos em tom de comédia, já que o mesmo chegou disfarçado, e só se revelou quando o bicho tava pegando, e todos os que estavam sendo treinados por ele junto com 150 soldados cubanos ficaram apavorados com a possibilidade do grande guerrilheiro ser morto em combate “justo” em território congolês) até a bem sucedida defesa de Angola das investidas da Unita e de Jonas Sawinbi apoiado pelas forças sul-africanas. Para os que ainda vêem o continente africano como um bloco único, como se fosse uma nação pobre e não centenas de povos e etnias separados por dezenas de fronteiras coloniais, não fazem idéia do que foi o processo de libertação da maioria das nações coloniais, e mesmo eu tirei diversas dúvidas que ainda persistiam graças as duas obras da documentarista e ótima pesquisadora egípcia Jihain El Tahri.

A outra obra eu assisti na semana anterior, e se chama “Os Sonhos Sobrevivem ao Poder?” (Behind the Rainbow) do qual falarei depois, e cujo ponto de partida vem exatamente do final deste.

Ela durante a exibição de “Os Sonhos...” comentou sobre a pesquisa (jornalística fique bem claro, e nem por isto menos documental) que tem feito motivado por seu interesse na questão do poder, e isto fica nítido nos dois docs, que aliás mostram que ela foi um dos destaques da mostra, já que teve 2 obras exibidas, com direito a ambas na repescagem.

Para quem quiser ter uma aula sobre as guerras de libertação (não apenas lusófonas, mas principalmente estas, acrescentando-se o Congo), e sobre os bastidores da Guerra Fria no continente africano, procure por esta obra (dica, tem cópia na Cinemateca da Maison de France) e note o quanto os cubanos e os angolanos e congolenses são tão semelhantes a nós, ao menos no humor diante do drama, e o quanto os europeus e wasps são tão frios e distantes do que somos?

Na próxima falarei sobre Behind The Rainbow.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

EM QUADRO

Segunda-feira, dia 28 fui ao Odeon, assistir ao filme EM QUADRO - A História de 4 Negros Nas Telas, de Luiz Antonio Pilar, onde 4 das mais importantes personalidades negras das artes cênicas foram homenageadas. Este longa está sendo exibido na mostra Retratos do Festival do Rio 2009.


Zezé Motta em Xica da Silva


Não há muito o que falar sobre as histórias contadas, pois muitas já foram por demais citadas em biografias e entrevistas, em especial para mim que já as leio há pouco mais de 30 anos, mas o melhor foi ver a resolução dada ao formato documentário de depoimentos feita nesta obra, assim como o quanto é delicioso e emocionante acompanhar a trajetória destes atores.


Milton Gonçalves em A Rainha Diaba


Outro fator que soma pontos valiosos para esta obra, e para sua intenção em se tornar referência no campo educacional, é trabalhar os depoimentos no que eles tem de melhor, o tom de vitória e de afirmação, que talvez fosse menor há alguns anos, pois nenhum dos quatro (ou de todos os atores e atrizes negros da geração deles) teve uma carreira tranqüila e nenhuma vitória e satisfação veio fácil para eles, mas o tom dos discursos não é revoltado ou complexado, e sim de pessoas talentosas, humanas e superiores a toda a questão (reconhecida) de preconceito.


Léa Garcia

E a homenagem a Grande Otelo, nome maior deste panteão, foi o toque que ilustrou bem a contribuição destes 4 artistas genuinamente brasileiros para a nossa cultura audiovisual.


Ruth de Souza e Eliezer Gomes em Assalto Ao Trem Pagador


Parabéns a Black & Preto por mais esta pérola na nossa filmografia.